Os demônios que me cercavam foram embora e revezam com outros.
Demônios são só anjos que perderam o rumo, buscam na luz o que não encontram em si.
Somos demônios à procura de luz.
Ela me olha, coloca sua cabeça no meu colo e dorme.
Esforça-se para não dormir, os olhos pesam.
Os olhos fecham e me trazem paz.
Enquanto ela dorme eu me perco.
Lá vem a gorda.
Uma cabeça no coração, outra nas mãos.
Ando pelos caminhos tortuosos da vida encontrando as asas perdidas.
Anjos que viraram demônios, ou já eram e eu pintei asas demais.
Desejo o dobro e o pior.
Tenho cabeças carinhosas que adormecem, tenho abraços sinceros que choram.
Se me mataste, hoje vivo.
Se sobrevivi, hoje vivo.
A vida tarda, mas não falha.
Nada foge aos olhos.
Nossas cestas estão cheias do que se planta.
Não se engane.
O resto é ilusão.
27.6.08
10.4.08
Eu prefiro a verdade
Hipocrisia do mundo.
Os lábios contrariam o que realmente se passa no interior do ser.
Enganar quem?
O outro não está nem aí com o que você faz ou sente.
Você engana a si mesmo.
Máscaras.
Sempre elas.
Respostas para tudo, todos.
Reze antes de dormir minha filha.
Prefiro fechar os olhos do que enxergar a verdade.
Prefiro mostrar a mentira do que admitir ser apenas humano.
A ilusão só é combatida com a verdade.
A escuridão só é combatida com a verdade.
As doenças do mundo e a falsidade dos bons dias e boas noites só são combatidas com a verdade.
Eu prefiro a verdade do que ser amada por todos.
Os lábios contrariam o que realmente se passa no interior do ser.
Enganar quem?
O outro não está nem aí com o que você faz ou sente.
Você engana a si mesmo.
Máscaras.
Sempre elas.
Respostas para tudo, todos.
Reze antes de dormir minha filha.
Prefiro fechar os olhos do que enxergar a verdade.
Prefiro mostrar a mentira do que admitir ser apenas humano.
A ilusão só é combatida com a verdade.
A escuridão só é combatida com a verdade.
As doenças do mundo e a falsidade dos bons dias e boas noites só são combatidas com a verdade.
Eu prefiro a verdade do que ser amada por todos.
25.3.08
Sobre algumas muletas e cadeiras
Com um mundo cheio de muletas, seguem-se os dias.
Cada um lamenta suas próprias lamentações,
Sofre suas próprias dores,
Sentem pena de si por suas penas perdidas.
Abaixo, matéria que saiu na internet hoje, a respeito de cadeiras de rodas para animais, em especial para cachorros:
"O cães não entendem o que está acontecendo, mas eles aceitam rápido: 'oh, é assim que eu sou agora'. Então quando colocamos eles nos carrinhos, eles pensam: 'oh, agora voltei ao normal. Posso ir onde quero", diz Leslie Grinnel, dono de uma empresa que faz cadeiras de rodas para animais com alguma deficiência.
Lamentando as lamentações e pensando ser forte enquanto julga os outros, a vida segue para uns, enquanto outros baixam os olhos e apenas seguem em frente.
“É assim que eu sou agora”.
Cada um lamenta suas próprias lamentações,
Sofre suas próprias dores,
Sentem pena de si por suas penas perdidas.
Abaixo, matéria que saiu na internet hoje, a respeito de cadeiras de rodas para animais, em especial para cachorros:
"O cães não entendem o que está acontecendo, mas eles aceitam rápido: 'oh, é assim que eu sou agora'. Então quando colocamos eles nos carrinhos, eles pensam: 'oh, agora voltei ao normal. Posso ir onde quero", diz Leslie Grinnel, dono de uma empresa que faz cadeiras de rodas para animais com alguma deficiência.
Lamentando as lamentações e pensando ser forte enquanto julga os outros, a vida segue para uns, enquanto outros baixam os olhos e apenas seguem em frente.
“É assim que eu sou agora”.
18.3.08
Crueldade Humana
Eu vagava, quase flutuava.
Minha pele estava suja, meus olhos estavam baixos e grudados, mas eu ainda via.
Apanhei da vida e de pessoas, e nem meus pedidos e súplicas adiantaram.
Fome.
Minhas costelas estavam à mostra.
Tudo em mim estava.
Minhas olheiras, minha cutis machucada, minhas unhas maltratadas, no branco dos olhos as veias vermelhas da desilusão.
Lágrimas.
Ninguém imaginou um dia ser possível, mas toda minha tristeza foi transbordada em forma de lágrimas.
Os carros passam a toda velocidade, e ai de mim se não me cuido.
Já não sou nada.
Frio.
Nos dias em que a garoa é fina e o vento seca minha irís, qualquer lugar é minha casa.
As pessoas me olham mas não me vêem, ou me chutam feito cachorro de rua.
É, acho que na verdade é isso que sou.
Eu morava em um apartamento pequeno, mas era minha casa, até o dia em que fui passear e me deixaram num lugar que eu não conhecia.
Não soube voltar.
Até hoje procuro o caminho de volta, mas não sei se ainda conseguirei.
Fraco, faminto e com frio.
Tenho saudade da minha casa.
Hoje em dia existem muitos cães pelas ruas, e muitos deles não sobrevivem ou acabam indo parar nos Centros de Zoonoses, e o fim da vida desses animais não é muito diferente.
Cães e gatos são como crianças, eles não conseguem se manter sozinhos.
Você abandonaria uma criança?
Minha pele estava suja, meus olhos estavam baixos e grudados, mas eu ainda via.
Apanhei da vida e de pessoas, e nem meus pedidos e súplicas adiantaram.
Fome.
Minhas costelas estavam à mostra.
Tudo em mim estava.
Minhas olheiras, minha cutis machucada, minhas unhas maltratadas, no branco dos olhos as veias vermelhas da desilusão.
Lágrimas.
Ninguém imaginou um dia ser possível, mas toda minha tristeza foi transbordada em forma de lágrimas.
Os carros passam a toda velocidade, e ai de mim se não me cuido.
Já não sou nada.
Frio.
Nos dias em que a garoa é fina e o vento seca minha irís, qualquer lugar é minha casa.
As pessoas me olham mas não me vêem, ou me chutam feito cachorro de rua.
É, acho que na verdade é isso que sou.
Eu morava em um apartamento pequeno, mas era minha casa, até o dia em que fui passear e me deixaram num lugar que eu não conhecia.
Não soube voltar.
Até hoje procuro o caminho de volta, mas não sei se ainda conseguirei.
Fraco, faminto e com frio.
Tenho saudade da minha casa.
Hoje em dia existem muitos cães pelas ruas, e muitos deles não sobrevivem ou acabam indo parar nos Centros de Zoonoses, e o fim da vida desses animais não é muito diferente.
Cães e gatos são como crianças, eles não conseguem se manter sozinhos.
Você abandonaria uma criança?
Esse cãozinho encontra-se no CCZ de Americana.
Um entre vários que terão um triste fim.
Posse consciente. Não abandone.
13.3.08
Notícia do Dia
Vale a pena, apesar de muitas vezes parecer cabulosa, passar todos os dias pela Sé, no centro de São Paulo.
Garoa fina, tão fina que as gotículas pareciam aquelas moscas bem pequenininhas que adoram churrasco.
O trânsito como sempre igual, o calor dentro do ônibus e frio fora, pessoas bem educadas e também as mal educadas que adoram dar bolsadas na cara alheia. Enfim, uma típica manhã na cidade.
Exceto por um situação inusitada (porém nem tanto) na frente das escadarias do metrô.
O homem num patamar acima de todos dizia com uma Bíblia nas mãos:
- O mundo está acabando!
O juízo final está próximo!
O MUNDO ESTÁ ACABANDO!
E sua voz ia aumentando para sanar a falta de microfone.
De bigode, grisalho, com um saco nas costas e chinelos, um senhor que passava justamente no momento da frase “o mundo está acabando”, exaltou-se:
- Está acabando o seu cu!
Vai trabalhar seu vagabundo!
E outras palavras de baixo calão foram proferidas enquanto o “profeta do fim do mundo” anunciava a notícia do dia.
O mundo iria acabar, ou usando do tão querido gerundio: ele está acabando.
Ao ver a cena, alguns saíram de perto, outros nem ouviram e eu ri com o episódio, vendo como por nada se briga e por nada se entrega os pontos.
O velho que discute, o homem da Bíblia que fica aos berros sobre o apocalipse.
Cada um com sua verdade.
Mais tarde, poucos metros da entrada do trabalho vejo uma garotinha de no máximo 6 anos cantando:
- “Tropa de elite, osso duro de roer,
Pega um, pega geral
Também vai pegar você”
O fim do mundo está próximo para todos, todos os dias, a cada minuto.
Pois bem: cantar, brigar ou esperar?
Garoa fina, tão fina que as gotículas pareciam aquelas moscas bem pequenininhas que adoram churrasco.
O trânsito como sempre igual, o calor dentro do ônibus e frio fora, pessoas bem educadas e também as mal educadas que adoram dar bolsadas na cara alheia. Enfim, uma típica manhã na cidade.
Exceto por um situação inusitada (porém nem tanto) na frente das escadarias do metrô.
O homem num patamar acima de todos dizia com uma Bíblia nas mãos:
- O mundo está acabando!
O juízo final está próximo!
O MUNDO ESTÁ ACABANDO!
E sua voz ia aumentando para sanar a falta de microfone.
De bigode, grisalho, com um saco nas costas e chinelos, um senhor que passava justamente no momento da frase “o mundo está acabando”, exaltou-se:
- Está acabando o seu cu!
Vai trabalhar seu vagabundo!
E outras palavras de baixo calão foram proferidas enquanto o “profeta do fim do mundo” anunciava a notícia do dia.
O mundo iria acabar, ou usando do tão querido gerundio: ele está acabando.
Ao ver a cena, alguns saíram de perto, outros nem ouviram e eu ri com o episódio, vendo como por nada se briga e por nada se entrega os pontos.
O velho que discute, o homem da Bíblia que fica aos berros sobre o apocalipse.
Cada um com sua verdade.
Mais tarde, poucos metros da entrada do trabalho vejo uma garotinha de no máximo 6 anos cantando:
- “Tropa de elite, osso duro de roer,
Pega um, pega geral
Também vai pegar você”
O fim do mundo está próximo para todos, todos os dias, a cada minuto.
Pois bem: cantar, brigar ou esperar?
7.3.08
15.2.08
O Baile de máscaras
É festa a fantasia e todos colocam suas melhores máscaras.
Os sorrisos são bem desenhados, quase imperceptível o cheiro do mal.
Fraseados cheios de graça, movimentos sutis, abraços apertados. Bons amigos.
Quando as luzes se apagam e é hora do banho noturno, as roupas são tiradas em um suave ballet de pernas e braços, o cabelo solto ou sacudido, a máscara cai. Deixa-se lá.
Será que alguém vai perceber a sensível diferença do ser?
Os olhos são fechados numa apunhalada silenciosa, indolor. Calada com palavras.
O salão está vazio, o chão está sujo de purpurina e suor, poeira e calor degladiando no meio da noite.
E tudo se acabou.
O banho é tomado sem pressa, a tinta do corpo escorre, o cabelo é molhado aos poucos, a água penetra por entre os fios, pelos poros, leva a sujeira do corpo mas deixa a sujeira da alma.
A máscara continua deitada sobre o tapete do quarto de hotel. Ninguém a verá ali, ninguém os verá sem elas.
O perfume faz-se presente, e na penumbra daquele cômodo, vazio, fétido e gélido eles se olham no espelho. Um olha a face do outro, desnuda, sem proteção.
Os rostos deformam-se no espelho e a alma é vista.
Demônios disfarçados num baile de gala.
Demônios com máscaras de anjo. Elas continuam jogadas no tapete.
O cansaço da mentira se abate e eles se olham novamente.
Deitam-se, abraçam-se e silenciam a mais um crime.
Roubaram a verdade, furtaram a bondade mais uma vez.
Ao amanhecer as máscaras são pegas do chão e o teatro recomeça.
Os sorrisos são bem desenhados, quase imperceptível o cheiro do mal.
Fraseados cheios de graça, movimentos sutis, abraços apertados. Bons amigos.
Quando as luzes se apagam e é hora do banho noturno, as roupas são tiradas em um suave ballet de pernas e braços, o cabelo solto ou sacudido, a máscara cai. Deixa-se lá.
Será que alguém vai perceber a sensível diferença do ser?
Os olhos são fechados numa apunhalada silenciosa, indolor. Calada com palavras.
O salão está vazio, o chão está sujo de purpurina e suor, poeira e calor degladiando no meio da noite.
E tudo se acabou.
O banho é tomado sem pressa, a tinta do corpo escorre, o cabelo é molhado aos poucos, a água penetra por entre os fios, pelos poros, leva a sujeira do corpo mas deixa a sujeira da alma.
A máscara continua deitada sobre o tapete do quarto de hotel. Ninguém a verá ali, ninguém os verá sem elas.
O perfume faz-se presente, e na penumbra daquele cômodo, vazio, fétido e gélido eles se olham no espelho. Um olha a face do outro, desnuda, sem proteção.
Os rostos deformam-se no espelho e a alma é vista.
Demônios disfarçados num baile de gala.
Demônios com máscaras de anjo. Elas continuam jogadas no tapete.
O cansaço da mentira se abate e eles se olham novamente.
Deitam-se, abraçam-se e silenciam a mais um crime.
Roubaram a verdade, furtaram a bondade mais uma vez.
Ao amanhecer as máscaras são pegas do chão e o teatro recomeça.
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